quinta-feira, 2 de junho de 2011

Alerta para os fundamentalismos

Comentarei, por ora, apenas alguns pontos relevantes quanto à uma atitude fundamentalista. Segundo o pesquisador em religião, Charles Kimball, existem cinco pontos aos quais devemos manter-nos atentos.


Os cinco sinais de alerta de Kimball

Pretensão de possuir a verdade absoluta

Obediência cega

Estabelecimento de um tempo "ideal"

Os fins justificam quaisquer meios

Declaração de "guerra santa"


A seguir apresento os cinco sinais de uma atitude saudável do jornalista norte-americano, Frank Muller, como contrapontos aos cinco sinais de alerta de Kimball.


Meus cinco sinais de uma atitude saudável

Aprendizado contínuo, buscar a verdade

Apreciar a investigação, promover o pensamento crítico

Utilizar probabilidades estocásticas baseadas na experimentação

Justificação é menos importante do investigação

Reconhecer a diversidade de opiniões


Fonte: clique aqui

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"Direita" ou "Esquerda"? Volver

Posso estar enganado, mas percebo um crescente esforço no Brasil, dos setores autoproclamados "conservadores", pelo surgimento de uma "nova direita". A velha "esquerda" por sua vez alardeia conspirações reacionárias por todos os lados. Entre esse improvável duelo entre duas posições, pelo menos por aqui, tontas, estamos nós, sociedade brasileira, para a qual importa pouco o rótulo "direita" ou "esquerda", mas políticas efetivas de desenvolvimento social: distribuição de riquezas, emprego, segurança pública, saúde, moradia.

Os que se autodefinem "direitistas" pretendem defender a democracia do que julgam ser uma nova ditadura socialista disfarçada de "bom mocismo". Os que se autodefinem de "esquerda" gritam aos quatro cantos existir não uma, mas várias ações reacionárias da "direita" por todos os lados contra a democracia, à qual somente a "esquerda" preservaria.

Para mim ambas as posições são politicamente inconsistentes porque apenas polarizam preferências particulares por meio de um jogo de mútuas acusações, em manifesta contradição performática. Os de "esquerda" fazem um discurso democrático e na prática agem autoritariamente. Os de "direita" fazem um discurso pró-legalidade, pró-manutenção da ordem vigente e, quando no poder, agem autoritariamente. Ou seja, ambas são posições autoritárias em nome da malfada democracia.

Portanto, eu defendo a posição democrática sem esses velhos rótulos. Defendo a preservação da ordem legal vigente desde que a mesma não seja apenas o reflexo da vontade de setores dominantes na sociedade em claro desrespeito às classes menos favorecidas, afinal, em princípio perante a lei, todos devem ser igualmente respeitados.

O que está sendo chamado de "direita" ou de "esquerda", talvez, seja mais bem definido pelo antigo conceito grego: demagogia. Embora "os problemas da sociedade devam ser resolvidos pela sociedade" (Durkheim) e eu, sozinho, não saiba as soluções para tais problemas, para mim, o Brasil necessita mais de interlocução, da diversidade de opiniões, do livre embate de ideias e menos de polarizações convenientemente mediadas por discursos igualmente insubstanciais.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bin Laden

Anunciar a morte do líder da rede Al Qaeda como tem feito a mídia mundial não é uma demonstração de vitória da liberdade sobre o terrorismo. É uma demonstração de o quanto os EUA ainda realizam missões secretas, invadindo os países alheios, em total descumprimento de tratados e acordos internacionais, a fim de alcançar seus objetivos políticos e ou militares.

A rede Al Qaeda não deixará de existir por seu líder ter sido morto. Aliás, a mera execução sumária de um criminoso internacional, sem julgamento, sem defesa, sem apresentação de provas, é um claro desrespeito às normas vigentes entre os países no mundo contemporâneo.

Todos os esforços em construir entendimentos multilaterais são ignorados quando se realiza ações militares secretas com objetivos tais como a manutenção da hegemonia de um país, ainda que defendidos como nobres.

Jamais concordarei com qualquer ato de terrorismo, seja por quais motivos forem, mas não posso celebrar a invasão de um país e a morte de alguém, em nome de seja lá o que for, sem a mais ampla demonstração pública da preservação de valores e práticas consideradas civilizadas e civilizatórias.

Esses valores e práticas podem ser discutíveis, mas o mero emprego da força bruta, pura e simples, como sinônimo de "solução" aos problemas vigentes contra o terrorismo internacional contemporâneo são contraprodutivas em médio e longo prazo, embora convença muitos do contrário em curto prazo. São contraprodutivas porque acirram o sentimento antiocidental ao demonstrar ser esse ocidente uma civilização bárbara, travestida de nobres ideais. Tudo o que os inimigos das democracias liberais vivem alardeando nas zonas de conflitos mundiais.

Ética da conveniência?

A ética não se confunde com conveniência. Para o diretório do PT, sim. O retorno de Delúbio Soares ao Partido dos Trabalhadores é mais um atestado explícito de como o diretório geral concebe o que é ética.

Envolvido com o mensalão, o qual o PT e o governo negaram veementemente, mas a Polícia Federal atesta em seus relatórios técnicos, Delúbio Soares retorna à cena política sendo considerado não-corrupto(r), mas alguém envolvido em um incidente já superado. Aliás, o diretório geral do PT tem dado demonstrações explícitas de nonsense ético desde o início das denúncias envolvendo alguns de seus membros.

O PSDB, o DEM, o PMDB, dentre outros, têm feito o mesmo. Sempre que um membro desses partidos, sejam ou não de "oposição", são pegos por envolvimento em corrupção, os referidos partidos simplesmente atenuam ou negam o que está mais do que explícito e documentado.

Se esse for o cenário político brasileiro, não fica difícil imaginar quantos novos escândalos políticos ainda enfrentaremos. Definitivamente ética não se confunde com conveniência, mas os membros dos partidos supramencionados não ligam muito para ética; ligam para estarem no poder e usar os recursos públicos em benefício próprio, seja do partido, seja de alguns de seus membros.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Infelizmente um primo materno, Rogério Teixeira de Lima, o mais jovem, apenas 38 anos, faleceu ontem a um dia de seu aniversário. Embora o blog não seja necrológico sinto-me no desejo de expressar minha tristeza pela perda de um querido amigo de infância, juventude, e um companheiro de folguedos mil. Vaya con Dios, primo.

domingo, 17 de outubro de 2010

Psychopath Check List - Revised

O psicólogo canadense, Robert Hare, desenvolveu uma escala para avaliar o transtorno de personalidade antissocial vulgarmente chamada de "psicopatia". A escala PCL-R (Psychopath Check List - Revised) possui os seguintes critérios:


1) loquacidade/charme superficial;

2) autoestima inflada;

3) necessidade de estimulação/tendência ao tédio;

4) mentira patológica;

5) controle/manipulação;

6) falta de remorso ou culpa;

7) afeto superficial;

8) insensibilidade/falta de empatia;

9) estilo de vida parasitário;

10) frágil controle comportamental;

11) comportamento sexual promíscuo;

12) problemas comportamentais precoces;

13) falta de metas realísticas em longo prazo;

14) impulsividade;

15) irresponsabilidade;

16) falha em assumir a responsabilidade pelos próprios atos;

17) muitos relacionamentos conjugais de curta duração;

18) delinqüência juvenil;

19) revogação de liberdade condicional e

20) versatilidade criminal.


OBS.: O teste somente deve ser aplicado por especialistas e indica tendências, necessitando de outras análises. Não basta uma mera identificação com os critérios acima para se julgar alguém como "psicopata".


Fonte: www.scielo.br/pdf/rbp/v28s2/04.pdf

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2: o inimigo agora é outro

No segundo episódio de Tropa de Elite, José Padilha (o diretor), Rodrigo Pimentel (ex-comandante do BOPE e corroteirista) e Bráulio Mantovani tentam se livrar do fantasma do adjeitivo "fascista" associado ao filme na Europa. Para quem não entendeu a reação europeia e pensou ser mais uma discriminação devido ao filme ser brasileiro é só se colocar no lugar de um europeu, o qual viveu a 2a Guerra Mundial: quem se vestia de preto, possuía uma caveira como símbolo e invadia as casas, matando quem encontrassem pela frente? Entendeu? Bem, para quem não se lembra da história mundial, o BOPE tem bastante similiridade com a GESTAPO (polícia secreta de Hitler). E para quem ache forçada a comparação, por ter sido o regime nazista baseado no racismo, qual é a etnia da maioria dos moradores das comunidades carentes? Daí a reação europeia.

No segundo episódio os roteiristas politizam a temática do filme. Dessa vez o problema não é apenas o narcotráfico, mas a própria estrutura política do país, a qual sustenta todas as formas de corrupção. E o agora tenente-coronel Nascimento é apenas uma consequência dessa estrutura. Embora eu tenha gostado mais desse episódio do que do primeiro, a ideia de toda a estrutura política ser a causa dos nossos problemas não é nova. Mas o que mais me chamou a atenção é que o defensor dos direitos humanos no filme, a quem o tenente-coronel Nascimento tanto atacava, será o único em quem ele realmente poderá confiar. Apesar da ingenuidade política do personagem, sua visão linear da realidade, sua tendência fascista acobertada por uma população cuja cultura tem forte viés autoritário, o coronel Nascimento acaba finalmente entendendo o que os defensores dos direitos humanos tanto denunciam: não se resolve os problemas da desigualdade com mais desigualdade, nem com um aparato policial treinado, estritamente, para matar as classes subalternas; a questão é muito mais profunda e muito mais complexa do que o combate ao crime organizado nas áreas menos favorecidas.

O filme põe o dedo em uma ferida de muito difícil cicatrização. Se a sociedade de um país quiser resolver os seus problemas sociais, a mera policialização não será a solução, ainda que seduza as classes mais favorecidas por serem elas as menos afetadas por esse tipo de "resposta" aos problemas sociais.

Na sala onde assisti ao filme todos saíram em silêncio. O ar ficou pesado ao final do filme. Como definiu a colega de trabalho de minha esposa: "O filme é um soco no estômago". Será?